Rosewood aposta na América Latina como uma das grandes fronteiras do luxo global
Em entrevista à Robb Report Brasil, Edouard Grosmangin, vice-presidente regional da Rosewood para América Latina e Caribe, fala sobre expansão, autenticidade, ESG e o futuro da hotelaria de alto padrão.
Edouard Grosmangin, vice-presidente regional da Rosewood para América Latina e Caribe, fala sobre o futuro da hotelaria de alto padrão.
Enquanto o turismo de luxo global busca novos territórios capazes de oferecer experiências genuínas e conexões culturais profundas, a América Latina emerge como uma das regiões mais promissoras para o setor. Rica em patrimônio histórico, biodiversidade, gastronomia e narrativas locais, a região passou a ocupar posição estratégica nos planos de crescimento de algumas das mais influentes marcas de hospitalidade do mundo.
Entre elas está a Rosewood Hotels & Resorts. Atualmente, a rede opera nove propriedades na América Latina e Caribe — quatro no México, quatro no Caribe e uma no Brasil — e já prepara uma nova fase de expansão. O Rosewood Mexico City tem inauguração prevista para 2027, enquanto o Rosewood Exuma, nas Bahamas, deverá abrir as portas em 2028.
À frente dessa estratégia está Edouard Grosmangin, vice-presidente regional da Rosewood para América Latina e Caribe. Para ele, o potencial da região vai muito além da beleza natural dos destinos.
“A América Latina reúne alguns dos lugares mais fascinantes do mundo, com identidades culturais muito fortes e ainda pouco exploradas pela hotelaria internacional de luxo. Existe um enorme potencial de crescimento para os próximos anos”, afirma.
A expansão, no entanto, não acontece de forma indiscriminada. A escolha de novos mercados passa por uma análise cuidadosa que considera fatores econômicos, relevância para o viajante de alto padrão e, principalmente, a capacidade do destino de expressar uma identidade própria.
Essa visão está diretamente ligada à filosofia “A Sense of Place”, conceito que orienta todos os empreendimentos da Rosewood. Em vez de reproduzir um padrão global, cada hotel é concebido para refletir a essência de seu entorno, incorporando elementos de arquitetura, arte, gastronomia, história e tradições locais.
O resultado é um portfólio de propriedades profundamente conectadas aos seus territórios. No México, por exemplo, essa abordagem se traduz em experiências que valorizam práticas ancestrais, bem-estar holístico e a riqueza cultural de cada região. A mesma lógica orienta os projetos futuros da marca.
Segundo Grosmangin, a transformação do conceito de luxo também influencia diretamente o desenvolvimento de novos empreendimentos. O viajante contemporâneo busca cada vez menos a ostentação e cada vez mais experiências memoráveis, personalizadas e autênticas.
Essa mudança de comportamento impulsiona investimentos em bem-estar, sustentabilidade, impacto social e branded residences, segmentos que ganham espaço crescente dentro do portfólio da rede.
O case Rosewood São Paulo
Poucos projetos traduzem essa filosofia de forma tão completa quanto o Rosewood São Paulo. Instalado no histórico complexo Cidade Matarazzo, o hotel rapidamente se tornou uma das propriedades mais emblemáticas da marca em todo o mundo. O projeto combina patrimônio restaurado, arquitetura contemporânea, arte brasileira, gastronomia, wellness e sustentabilidade em uma proposta que vai muito além da hospedagem tradicional.
Para Grosmangin, o sucesso do empreendimento está diretamente relacionado à sua capacidade de traduzir a essência da cidade.
“O Rosewood São Paulo não é apenas um hotel de luxo. É um marco cultural que celebra a identidade brasileira e oferece uma experiência profundamente conectada ao lugar onde está inserido”, afirma.
O executivo destaca ainda que o hotel se tornou uma referência global dentro da rede não apenas pelo design ou pela programação cultural, mas também pelo compromisso com práticas ESG.
O empreendimento opera com energia proveniente de fontes renováveis, mantém uma gestão de resíduos baseada no conceito de zero aterro, utiliza veículos elétricos e híbridos para o transporte de hóspedes e abriga mais de 250 espécies nativas da Mata Atlântica.
Além disso, iniciativas como a parceria com a Casa do Rio, na Amazônia, refletem o compromisso da marca com desenvolvimento sustentável e impacto positivo nas comunidades onde atua.
Luxo com propósito
Se antes sustentabilidade era vista como um diferencial, hoje ela se tornou parte integrante da experiência de luxo.
Segundo Grosmangin, os hóspedes estão mais atentos à origem dos produtos, ao impacto de suas escolhas e às práticas adotadas pelas marcas com as quais se relacionam.
Esse movimento está alinhado aos programas globais Rosewood Empowers e Rosewood Sustains, que orientam ações voltadas à responsabilidade social, desenvolvimento comunitário e hospitalidade circular em todas as propriedades da rede.
“O viajante de alto padrão está cada vez mais interessado em experiências que reflitam seus valores. Ele quer saber qual é o impacto positivo de sua estadia e como aquela experiência contribui para o destino visitado”, explica.
A combinação entre excelência operacional, autenticidade cultural e responsabilidade socioambiental tornou-se um dos pilares estratégicos da Rosewood para o futuro.
O próximo capítulo do luxo
Para Grosmangin, a próxima década será marcada por uma busca ainda maior por bem-estar, desconexão digital e experiências transformadoras.
Se a tecnologia continuará desempenhando um papel importante na personalização dos serviços, o verdadeiro luxo estará justamente naquilo que ela não pode substituir: tempo, presença e conexão humana.
“A possibilidade de desacelerar, viver momentos offline e dedicar tempo à própria saúde física, mental e emocional será cada vez mais valorizada pelos viajantes”, afirma.
Em um mundo marcado pela hiperconectividade, a hospitalidade de luxo parece caminhar em direção oposta: criar espaços capazes de promover pausa, significado e pertencimento.
E poucas regiões parecem tão preparadas para essa nova era quanto a América Latina.
Confira a entrevista com Edouard Grosmangin, Vice President Regional, Latin America & Caribbean, Rosewood Hotel Group
Com nove propriedades em operação na região e novos projetos já confirmados para México e Caribe, a Rosewood Hotels & Resorts vê a América Latina como uma das áreas mais promissoras para a expansão da marca. Em entrevista exclusiva com Robb Report Brasil, Edouard Grosmangin, vice-presidente regional da Rosewood para América Latina e Caribe, fala sobre os critérios que orientam a escolha de novos destinos, a importância da filosofia A Sense of Place, o sucesso do Rosewood São Paulo e as transformações que estão redefinindo o luxo contemporâneo.
A América Latina ganhou protagonismo no turismo de luxo global. Qual é o papel da região na estratégia de crescimento da Rosewood?
Edouard Grosmangin: A América Latina é uma das regiões mais promissoras para a hotelaria de luxo. Já temos nove propriedades em operação e enxergamos um enorme potencial de expansão. Existem destinos extraordinários ainda pouco explorados e acreditamos que veremos novas aberturas nos próximos anos.
O que determina a escolha de um novo mercado para a marca?
Procuramos destinos com crescimento consistente, relevância para o viajante de alto padrão e uma identidade cultural forte. Também buscamos locais capazes de expressar nossa filosofia “A Sense of Place”, oferecendo algo genuinamente único dentro do portfólio global da Rosewood.
O Rosewood São Paulo tornou-se um dos hotéis mais emblemáticos da rede. A que o senhor atribui esse sucesso?
O projeto conseguiu capturar a essência de São Paulo e do Brasil de uma maneira muito autêntica. Não é apenas um hotel de luxo. É um marco cultural, arquitetônico e regenerativo que dialoga com a cidade e com sua história.
O conceito de “oásis urbano regenerativo” pode ser replicado em outras cidades globais?
Sem dúvida. O Rosewood São Paulo tornou-se uma referência para toda a rede, especialmente na integração entre hospitalidade, patrimônio histórico, sustentabilidade e impacto positivo para a comunidade local.
Como o senhor define o luxo contemporâneo?
O luxo evoluiu muito na última década. Hoje ele está menos ligado à ostentação e mais relacionado a experiências autênticas, personalizadas e transformadoras. O tempo, o bem-estar e a possibilidade de desconectar-se do mundo digital tornaram-se alguns dos maiores luxos da atualidade.
Quais serão as grandes tendências da hotelaria de luxo nos próximos dez anos?
Vejo um crescimento importante das viagens voltadas ao bem-estar, à saúde e à reconexão pessoal. Os hóspedes buscarão experiências cada vez mais personalizadas e momentos genuínos de desconexão, com foco em qualidade de vida e desenvolvimento pessoal.
Existe algum destino onde o senhor gostaria de ver um Rosewood no futuro?
Gostaria muito de ver um Rosewood na África. Ainda não temos presença no continente e acredito que existem destinos extraordinários que dialogam perfeitamente com a nossa filosofia.
O que o hóspede ainda não percebe sobre a Rosewood, mas deveria?
Muitos dos nossos esforços em sustentabilidade e impacto social acontecem de forma silenciosa. O hóspede talvez não perceba toda a profundidade do trabalho desenvolvido por meio dos programas Rosewood Empowers e Rosewood Sustains. Mas esse compromisso está presente em cada decisão que tomamos e faz parte do DNA da marca.