Quem venceu a Copa do Mundo das marcas?
Nike, Adidas, Burberry, Loewe e Levi's transformaram o torneio em uma plataforma global de branding, estilo e influência cultural que vai muito além dos 90 minutos.
Jacquemus e Nike se uniram em collab.
À medida que a Copa do Mundo chega ao fim, marcas como Nike, Adidas, Burberry, Loewe e Levi's começam a medir o desempenho de campanhas desenvolvidas ao longo de meses para um dos maiores palcos de visibilidade do planeta. Mais do que uma competição esportiva, o torneio consolidou-se como uma poderosa plataforma global de branding, capaz de impulsionar tendências, movimentar bilhões em exposição de mídia e influenciar o comportamento dos consumidores muito além dos 90 minutos de jogo.
Os números ajudam a dimensionar esse impacto. Segundo a FIFA, mais de 50 milhões de pessoas acompanharam a competição apenas no fim de semana de abertura. Já a Launchmetrics estima que, entre abril e junho, período que antecedeu o torneio, a Copa gerou US$ 5,6 bilhões em Valor de Impacto Midiático (MIV), superando eventos como as finais da NBA (US$ 1,6 bilhão), Roland-Garros (US$ 678 milhões) e o Grande Prêmio de Mônaco (US$ 403 milhões). No varejo, plataformas como a Depop registraram aumento de mais de 1.100% nas buscas por camisas da Copa do Mundo.
Messi e o skatista Mark Gonzales com uniforme da Adidas.
Mais do que uma ação pontual de marketing, a competição passou a integrar estratégias de longo prazo. O objetivo das marcas já não é apenas aproveitar a audiência do campeonato, mas criar narrativas capazes de permanecer relevantes depois do apito final.
Nesse cenário, Nike e Adidas lideraram a disputa. A Adidas apostou na campanha Backyard Legends, enquanto a Nike reuniu nomes como Kim Kardashian, Kylian Mbappé, LeBron James e Central Cee no filme Rip the Script. Segundo a CreatorIQ, entre 1º e 21 de junho, a Adidas gerou US$ 48,9 milhões em mídia espontânea (EMV) com cerca de 6.700 publicações e quase 3 mil criadores de conteúdo. A Nike alcançou US$ 28,9 milhões, impulsionada pelo desempenho de seus atletas patrocinados e pelo forte engajamento nas redes sociais.
A Copa também evidenciou como futebol e moda passaram a caminhar lado a lado. Além das fornecedoras de material esportivo, marcas de diferentes segmentos aproveitaram o momento para lançar coleções e campanhas especiais. A Burberry apresentou A Good Sport, campanha inspirada na cultura britânica; a Loewe desenvolveu os looks oficiais da seleção espanhola; a Reformation assinou uma colaboração com a Umbro; enquanto a Levi's chamou atenção nas redes sociais ao publicar uma referência bem-humorada ao principal estádio do torneio, mesmo sem ser patrocinadora oficial.
Kylian Mbappé com bolsa de camurça da Dior.
As colaborações entre marcas e atletas também ganharam protagonismo. Lionel Messi, Jude Bellingham e Kylian Mbappé reforçaram suas posições como embaixadores de grandes maisons, enquanto parcerias entre Adidas, Kith, Willy Chavarria e Thrasher mostraram que o futebol se tornou um território estratégico também para o streetwear e para a moda contemporânea.
Outro movimento observado durante o campeonato foi a expansão da influência do futebol para além das quatro linhas. Os looks usados pelos jogadores na chegada aos estádios, as bolsas que carregavam, as coleções lançadas durante o torneio e até o estilo das chamadas WAGs (esposas e namoradas dos atletas) dominaram as conversas nas redes sociais.
Segundo o Pinterest, as buscas por termos como "look da Copa do Mundo" cresceram 700% entre maio e junho, enquanto o TikTok registrou um aumento no interesse pela estética das WAGs dos anos 2000, impulsionando uma nova onda de referências ligadas ao futebol.
Para especialistas ouvidos pela Vogue Business, esse comportamento confirma uma transformação importante: a Copa do Mundo deixou de ser apenas um campeonato esportivo para se consolidar como um fenômeno cultural global. Em vez de competir apenas pela visibilidade durante um mês, as marcas disputam relevância em um ecossistema que reúne esporte, moda, entretenimento e redes sociais, influenciando tendências e decisões de consumo muito depois da cerimônia de encerramento.
Com informações da Vogue Business.