Quem é Andy Burnham, 7º primeiro-ministro do Reino Unido em uma década após renúncia de Starmer

Andy Burnham assumiu nesta segunda-feira, 20, o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido após substituir Keir Starmer na liderança do Partido Trabalhista. Aos 56 anos, ele chega a Downing Street com a missão de enfrentar uma economia estagnada, reduzir o custo de vida, melhorar os serviços públicos e conter o avanço do partido de direita Reform UK.

Embora herde muitos dos desafios que marcaram o governo de Starmer, Burnham chega ao poder com uma vantagem apontada por aliados e analistas: sua popularidade junto ao eleitorado. Nos últimos oito anos, consolidou sua imagem como prefeito da Grande Manchester, cargo que ocupava desde 2017, e ganhou projeção nacional por defender maior autonomia para as regiões do norte da Inglaterra e cobrar investimentos fora de Londres.

Foi nesse período que recebeu o apelido de "rei do Norte", uma referência à série Game of Thrones. O nome se popularizou durante a pandemia de covid-19, quando confrontou o então governo conservador ao exigir menos restrições para Manchester e mais apoio financeiro à região. Desde então, passou a simbolizar a defesa da descentralização do poder e do fortalecimento das cidades fora da capital britânica.

Nascido no noroeste da Inglaterra, entre Liverpool e Manchester, Burnham é filho de um técnico da British Telecom e de uma recepcionista. Filiou-se ao Partido Trabalhista ainda na adolescência, estudou literatura inglesa na Universidade de Cambridge e foi eleito deputado pela primeira vez em 2001.

Ao longo de cerca de 15 anos no Parlamento, integrou os governos trabalhistas de Tony Blair e Gordon Brown. Nesse período, ocupou cargos de destaque, como secretário-chefe do Tesouro e ministro da Cultura, da Saúde e dos Esportes.

Burnham disputou a liderança do Partido Trabalhista em 2010 e 2015, mas foi derrotado nas duas ocasiões. Em 2017, deixou Westminster para concorrer à prefeitura da Grande Manchester, decisão que acabou impulsionando sua carreira política.

À frente da região, liderou uma série de projetos voltados para transporte, habitação e desenvolvimento econômico. Sua gestão retomou o controle público do sistema de ônibus, ampliou investimentos em infraestrutura e atraiu empresas para a região. Sob sua administração, a economia da Grande Manchester cresceu, em média, acima da média nacional, fortalecendo sua imagem de gestor eficiente.

Burnham costuma definir seu modelo econômico como um "socialismo favorável aos negócios". A proposta combina maior participação do Estado em áreas como transporte, água, energia e habitação com incentivos ao investimento privado e ao desenvolvimento regional.

Como primeiro-ministro, pretende levar essa experiência para todo o Reino Unido. Entre suas principais promessas estão um plano de reindustrialização para regiões afetadas pela perda de empregos, a ampliação da construção de moradias populares, a descentralização de investimentos e mais autonomia para governos locais. Burnham também defende políticas para reduzir o custo de vida, fortalecer a educação e ampliar as oportunidades para os jovens.

Apesar da longa trajetória política, Burnham cultiva a imagem de um líder acessível e informal. Frequentemente aparece em eventos usando roupas casuais, joga futebol nas horas vagas e participa de apresentações como DJ com músicas dos anos 1990. Aliados apontam seu estilo direto e sua capacidade de comunicação como alguns dos principais diferenciais em relação a seu antecessor.

Os críticos, por outro lado, afirmam que Burnham costuma adaptar suas posições políticas ao longo da carreira e questionam se a experiência adquirida em um governo regional será suficiente para enfrentar os desafios nacionais. Ainda assim, sua ascensão representa uma aposta do Partido Trabalhista em um perfil considerado mais próximo do eleitor e com forte identificação com o norte da Inglaterra.

*Com informações das agências internacionais.