Quase metade da Geração Z poupa para viagens antes de pensar na aposentadoria
Estudo do JP Morgan Asset Management também mostra que uma em cada quatro pessoas já antecipou recursos de planos previdenciários.
Objetivos imediatos têm ocupado o espaço do planejamento financeiro de longo prazo de jovens. (Foto: Unsplash)
Quase metade dos jovens da Geração Z prioriza economizar para viagens em vez de acumular recursos para a aposentadoria. O comportamento aparece em um levantamento do JP Morgan Asset Management com pessoas entre 18 e 29 anos e mostra como despesas e objetivos imediatos têm ocupado o espaço do planejamento financeiro de longo prazo.
De acordo com a Exame, além das férias, o pagamento de dívidas estudantis e a formação de reservas de emergência aparecem entre as prioridades dos jovens. Para os analistas do JP Morgan, o comportamento está relacionado tanto às pressões financeiras atuais quanto ao pouco conhecimento sobre os benefícios de começar a investir cedo, especialmente em relação aos juros compostos.
“Dívidas parecem urgentes, enquanto a aposentadoria é distante, o que facilita adiar a poupança”, afirmou Alyson Frost, chefe de insights de aposentadoria da gestora.
Prioridade imediata atravessa gerações
A dificuldade de poupar para a aposentadoria não se restringe aos mais jovens. A maioria dos trabalhadores de diferentes faixas etárias reconhece que deveria contribuir mais para seus planos de previdência privada, mas acaba priorizando o pagamento de dívidas ou a criação de uma reserva para emergências.
Cerca de 30% dos entrevistados colocam viagens e lazer à frente da aposentadoria. Outros 10% reduziram ou interromperam as contribuições previdenciárias devido ao aumento do custo de vida.
O estudo também alerta para o uso dos planos de aposentadoria como fonte de recursos de curto prazo. Uma em cada quatro pessoas já recorreu a empréstimos ou retiradas antecipadas dos fundos, enquanto 19% planejam fazer o mesmo.
As retiradas são utilizadas principalmente para cobrir despesas inesperadas, comprar imóveis, quitar dívidas de cartão de crédito, ajudar familiares ou pagar custos relacionados à saúde.
Falta de planejamento
Mais da metade dos participantes não sabe quanto precisa economizar anualmente para garantir uma aposentadoria confortável. Quase dois terços gostariam de delegar completamente a gestão de seus recursos a profissionais financeiros.
Entre aqueles que já contribuem para planos de aposentadoria, apenas 11% ajustam os valores de acordo com suas necessidades futuras. Outros 10% mantêm o percentual automático definido no início do plano, sem novas avaliações.
Como referência, consultores recomendam acumular o equivalente a pelo menos um salário anual aos 30 anos, três vezes esse valor aos 40, seis vezes aos 50, oito vezes aos 60 e dez vezes no momento da aposentadoria, considerando a saída do mercado de trabalho aos 67 anos. A contribuição anual sugerida varia de 12% a 15% da renda, incluindo a eventual participação do empregador.
Apesar de priorizar objetivos mais imediatos, grande parte da Geração Z mantém planos de aposentadoria e pretende deixar o mercado de trabalho mais cedo. Quase 30% dos jovens esperam se aposentar antes dos 65 anos e, entre eles, dois terços planejam parar de trabalhar antes dos 60.