Situação atual não permite adiar acordo Mercosul-UE, avalia ministro alemão
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, disse nesta quinta-feira, 2, que o cenário de conflitos geopolíticos e barreiras comerciais não permite adiar o acordo da União Europeia com o Mercosul.
Durante encontro com representantes de multinacionais alemãs promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK), o chanceler disse que o bloqueio no Estreito de Ormuz, que causou interrupções no abastecimento de petróleo e fertilizantes, colocou em prova a adaptação empresarial em países industrializados vulneráveis como Alemanha e Brasil. O problema, ressaltou, ainda está longe de ser resolvido.
Em paralelo, acrescentou, há maior pressão sobre as regras de comércio internacional, citando tarifas voláteis. "Portanto, minhas senhoras e meus senhores, eu realmente não exagero quando digo que o nosso acordo UE-Mercosul é um marco histórico para ambas as regiões", declarou Wadephul.
O ministro alemão lembrou que o acordo foi concluído após 25 anos de negociações, e, agora assinado pelos países, permitirá maior diversificação nas trocas comerciais, com redução também das barreiras a investimentos. Ele pediu, em seu discurso, que as empresas aproveitem os benefícios do acordo. "Façam uso deste acordo. Vamos utilizá-lo agora em conjunto para ampliar ainda mais as nossas relações econômicas e fortalecer a base industrial e as nossas economias."
Ao lembrar que Alemanha e Brasil foram fortes defensores do acordo, Wadephul agradeceu o governo brasileiro tanto pela liderança no Mercosul quanto pela rapidez na ratificação. Disse também que se empenhou pessoalmente para que o acordo entrasse em vigor provisoriamente na União Europeia, pela convicção de que os benefícios a ambos os lados se materializarão rapidamente. Na sexta-feira, 3, Wadephul tem um encontro com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira.