O "colaborador fantasma": 65% das empresas brasileiras já usam IA agêntica, mas a maioria está no escuro
Um estudo global inédito da KnowBe4 acendeu o alerta: 65% das empresas no Brasil já adotaram esses agentes autônomos em seus fluxos de trabalho diários.
Esqueça aquela imagem da Inteligência Artificial que apenas responde a perguntas ou resume textos longos. No ecossistema corporativo brasileiro, a tecnologia subiu de degrau. Ela agora toma decisões, inicia processos e conversa com outros sistemas sem que ninguém precise apertar um botão. É a chamada IA agêntica (ou agentes autônomos).
Um estudo global inédito da KnowBe4 acendeu o alerta: 65% das empresas no Brasil já adotaram esses agentes autônomos em seus fluxos de trabalho diários.
O problema? Essa inovação está correndo em uma velocidade que os departamentos de TI simplesmente não conseguem acompanhar. O resultado é o surgimento de uma espécie de "força de trabalho invisível" operando dados sensíveis sem qualquer tipo de vigília.
O perigo mora na "Shadow AI"
A pressa para entregar resultados e automatizar tarefas gerou um efeito colateral preocupante: a falta de controle. De acordo com o relatório, 60% dos líderes brasileiros admitem que o uso de IA em suas empresas é totalmente informal ou não possui nenhuma governança corporativa.
É o fenômeno da Shadow AI (IA invisível). Na prática, funcionários estão contratando ou ativando ferramentas por conta própria para dar conta do recado.
E não adianta apenas colocar travas no sistema. A pesquisa revela um dado cultural forte sobre o comportamento do trabalhador brasileiro:
Quase metade (47%) dos profissionais do país confessa que, se as ferramentas oficiais de IA da empresa forem muito lentas ou cheias de restrições, eles vão burlar os bloqueios e buscar alternativas por conta própria. Para eles, a velocidade vem antes da segurança.
A conta dessa pressa já chegou
Essa vulnerabilidade não é um risco teórico para o futuro; ela já está cobrando o seu preço. O estudo aponta que 63% dos tomadores de decisão em cibersegurança no Brasil confirmam que o uso de softwares e IAs não autorizadas degradou ou comprometeu ativamente a segurança da empresa nos últimos 12 meses.
Dupla jornada: Proteger humanos e robôs
Se antes o foco dos criminosos cibernéticos era enganar o funcionário desatento com um e-mail de phishing, agora o alvo se duplicou. Os ataques misturam deepfakes altamente realistas, mensagens SMS e táticas sofisticadas como a manipulação de comandos (prompt injection), que basicamente "sequestra" o comportamento dos agentes de IA.
"A cibersegurança entrou em uma fase volátil, na qual as organizações estão tentando proteger uma força de trabalho composta por colaboradores e sistemas de IA", explica Perry Carpenter, Chief Deception Strategist da KnowBe4. "Deixar mais da metade do uso corporativo de IA sem governança é um enorme convite aberto para criminosos cibernéticos."
O caminho regulado (e seguro) para o futuro
A conclusão do relatório indica que proibir a tecnologia não é a solução — até porque os funcionários encontrarão um jeito de usá-la. O segredo para as empresas colherem os frutos da inteligência artificial sem abrir as portas para os hackers está em mudar a cultura de segurança.
Em vez de focar apenas em punir erros ou rastrear falhas depois que elas acontecem, as organizações precisam criar sistemas que guiem o comportamento do usuário de forma leve e educacional. A mentalidade de proteção agora precisa ser estendida: a TI não protege mais apenas computadores e pessoas; ela precisa, urgentemente, aprender a proteger seus novos colegas robôs.