Do campo à mobilidade elétrica: os pilares da nova revolução industrial brasileira

Depois de décadas oscilando entre promessas de desenvolvimento e crises cíclicas, o país aposta em um novo modelo de crescimento.

Nissan_Resende 7 Anos_2Depois de décadas oscilando entre promessas de desenvolvimento e crises cíclicas, o país aposta em um novo modelo de crescimento.

Liderado pelo programa Nova Indústria Brasil (NIB), lançado em 2024, o governo federal traçou um plano ambicioso: transformar o país em protagonista nas cadeias industriais sustentáveis e de alto valor agregado. São seis grandes missões, com metas e prazos claros até 2033. Só o eixo agroindustrial, por exemplo, deverá receber R$ 546 bilhões em investimentos públicos e privados até 2029, com foco na industrialização de base sustentável e na adoção de práticas regenerativas no campo. A meta é quase dobrar a participação da agroindústria no PIB do setor, passando dos atuais 23% para 50%.

Já a transição energética aparece como um dos motores centrais dessa nova trajetória. A chamada “Missão 5” da NIB — dedicada à bioeconomia e descarbonização — mobiliza R$ 468 bilhões em investimentos. A meta é ousada: elevar a participação de veículos elétricos e biocombustíveis de 21% para 50% na matriz de transportes em menos de dez anos, além de ampliar o uso industrial da biodiversidade em 30%.

Radar

Levantamento inédito do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostra que a Nova Indústria Brasil está transformando as potencialidades locais em vetores de desenvolvimento, impulsionando o crescimento sustentável e a geração de emprego em todo o país.

O novo painel interativo de monitoramento do Plano Mais Produção mostra que os investimentos da NIB em todo o país já somam R$ 472,7 bilhões em mais de 168 mil projetos relacionados às seis missões da política industrial até março deste ano. No total, o Plano Mais Produção conta com R$ 611 bilhões de recursos para o desenvolvimento industrial, em linhas de crédito e não reembolsáveis, com foco em inovação, produtividade, sustentabilidade e exportação.

Para o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, o balanço mostra os acertos da política industrial. “A Nova Indústria Brasil é um marco histórico para o desenvolvimento do país. O novo painel reforça que estamos no caminho certo, atraindo investimentos para setores estratégicos e impulsionando a indústria nacional com inovação e sustentabilidade, valorizando as potencialidades locais e transformando o futuro do Brasil com mais emprego e renda”, avalia.

Geraldo

Inovação elétrica

A indústria também está no centro desse novo ciclo. A ideia é mudar o perfil produtivo do país: de um exportador de commodities para um desenvolvedor de soluções tecnológicas. A digitalização da indústria, que hoje alcança apenas 23% das empresas, deverá chegar a 90% até 2033. Tecnologias emergentes como semicondutores, biotecnologia, mobilidade elétrica e conectividade 5G/6G estão entre os alvos prioritários da reindustrialização nacional. Iniciativas como o Programa MOVER, que prevê R$ 19 bilhões em incentivos à indústria automotiva limpa, mostram que a indústria verde e inovadora deixou de ser sonho para se tornar política de Estado.

Neste ambiente, em julho, o primeiro BYD Dolphin Mini 100% brasileiro foi apresentado ao público em um momento histórico para a indústria nacional. O palco dessa estreia foi a novíssima fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia — um complexo industrial de última geração, onde cada metro quadrado respira tecnologia do futuro. Pela primeira vez, os portões se abriram para mostrar como o mais novo carro elétrico do Brasil está ganhando vida.

“Estamos transformando Camaçari em uma potência para o futuro. Esse complexo fabril representa uma vitória da inovação, da sustentabilidade e da confiança no Brasil. A BYD chega com tecnologia, investimentos e propósito: fazer parte do próximo capítulo do setor automotivo nacional. O que estamos vendo hoje na Bahia é um marco na reindustrialização do país e um grande salto tecnológico. A BYD agora é uma empresa feita por brasileiros para brasileiros”, destaca Alexandre Baldy, Vice-Presidente sênior e Head Comercial e de Marketing da BYD Auto Brasil e head do LIDE Cidades.

Baldy

Oceano de oportunidades

Em outro sentido, o mapa de investimentos da indústria naval brasileira também ganhou novos contornos com a última rodada de aprovações do Fundo da Marinha Mercante (FMM). Na 59ª reunião do Conselho Diretor do FMM, foram aprovados 14 projetos inéditos em todo o país. Desses, oito estão localizados na região Sudeste, que concentra R$ 1,54 bilhão em novos aportes.

No Rio, foram seis iniciativas com foco na construção de embarcações, modernizações e reparos especializados. Empresas como Oceanpact, CBO, Posidonia e Magallanes lideram os investimentos no estado, que ultrapassam R$ 800 milhões e devem gerar mais de 2.193 empregos diretos.

A retomada fluminense se deve, em grande parte, à força da cadeia offshore no estado, que abriga a maior concentração de operações ligadas à exploração de petróleo e gás no país. A demanda por embarcações de apoio, reparo e modernização está diretamente conectada à atividade intensa na Bacia de Campos e à estrutura logística consolidada na região.