IA assume protagonismo no iFood e impulsiona os lucros da empresa

Diego Barreto, CEO da companhia, revelou que a Inteligência Artificial transformou o iFood em uma companhia guiada por algoritmos.

Diego Barreto - iFoodDiego Barreto, CEO da companhia, revelou que a Inteligência Artificial transformou o iFood em uma companhia guiada por algoritmos. (Foto: Divulgação)

A Inteligência Artificial deixou de ser uma promessa e se tornou o coração do iFood. Segundo o CEO Diego Barreto, a tecnologia já responde por mais de 30% do Ebitda da empresa — e deve chegar a 45% em breve, impulsionada pela expansão do uso de agentes de IA em praticamente todas as áreas da operação.

Durante o painel “IA que Impulsiona os Negócios”, no Bloomberg Línea Summit 2025, em São Paulo, Barreto destacou que a logística do iFood já é totalmente automatizada. “Hoje, nenhum ser humano define como otimizar a operação: tudo é gerido por um algoritmo proprietário”, afirmou.

O impacto da IA vai muito além da entrega de pedidos. Desde 2020, a área de marketing passou a usar algoritmos para segmentar usuários, adquirir clientes e definir perfis de consumo. No atendimento, 90% das interações são feitas por três agentes de IA — um voltado a consumidores, outro a restaurantes e um terceiro que atua como “maestro”, coordenando o fluxo de respostas e operações. Segundo Barreto, a satisfação dos usuários nesse modelo já supera a do atendimento humano.

Para acelerar essa transformação, o iFood criou uma plataforma interna que permite a qualquer colaborador desenvolver agentes de IA sem saber programar. Até agora, já foram criados mais de 900 agentes de forma descentralizada. A meta é ambiciosa: cada funcionário deve criar ao menos um agente até março de 2026. O uso da tecnologia, inclusive, passou a integrar as métricas de avaliação de desempenho.

Barreto explicou que a adoção da IA segue um plano de 18 meses, que começa com uma fase de comunicação intensa, seguida por resultados práticos e, por fim, pela incorporação da tecnologia como critério para reconhecer profissionais de alto desempenho.

“É como se, há 20 anos, alguém dissesse que o pacote Office deixava as empresas mais eficientes. No início era uma ferramenta nova, depois virou parte natural do trabalho”, comparou o CEO.

Ele também destacou o desafio humano dessa transição. “As pessoas têm dificuldade natural em mudar, e a plasticidade cerebral tende a cair a partir dos 35 anos. Por isso, precisamos estruturar o processo de aprendizado”, disse.

A jornada do iFood com IA começou em 2018, com modelos baseados em aprendizado de máquina. Hoje, na era da IA generativa, a tecnologia não é mais um projeto paralelo, mas a própria engrenagem que move o negócio e sustenta o crescimento da empresa.

*Com informações de Sérgio Ripardo, da Bloomberg Línea