Ferrari acelera rumo ao elétrico e enfrenta maior teste de sua história
Com o Elettrica, marca italiana tenta preservar a tradição de performance e exclusividade enquanto acelera na transição global para veículos elétricos.

Marca italiana tenta preservar o prestígio dos motores a combustão enquanto se adapta à nova era da eletrificação. (Foto: Thomas Allsop/Unsplash)
A Ferrari prepara o lançamento do Elettrica, seu primeiro supercarro totalmente elétrico, previsto para o fim de 2026. Segundo a Bloomberg, o modelo marca a transição mais desafiadora dos 80 anos da marca italiana, que busca preservar o prestígio dos motores a combustão enquanto se adapta à nova era da eletrificação.
A fabricante apresentou partes do projeto durante o dia do investidor, em Maranello, na Itália. A expectativa, porém, foi ofuscada por projeções financeiras abaixo do esperado, que derrubaram as ações da companhia na bolsa de Milão — a maior queda já registrada pela empresa. “O mercado esperava uma narrativa confiante sobre expansão de margens, mas recebeu algo muito aquém disso”, avaliou o analista Stephen Reitman, da Bernstein.
Para a Ferrari, o desafio é traduzir a emoção de dirigir um V-12 para o silêncio dos motores elétricos. “Fico me perguntando se o Ferrari Elettrica vai transmitir a mesma sensação”, disse Edoardo Schön, concessionário em Milão. “O desafio é evoluir o DNA da Ferrari sem alterá-lo por completo.”
O Elettrica entregará mais de 1.000 cavalos de potência, atingindo 100 km/h em 2,5 segundos e autonomia estimada em 530 km. O modelo terá recarga rápida de até 80% em 15 minutos e deve ser seguido por outro veículo movido a bateria até 2030, conforme o CEO Benedetto Vigna. “Elétrico é uma nova dimensão para nós — uma nova oportunidade, e continuamos avançando nessa direção”, disse o executivo.
Mesmo com a queda das ações, a Ferrari ainda opera com margens e múltiplos próximos aos das grifes de luxo. “A empresa continua sendo de altíssima qualidade, com rara visibilidade de crescimento e capacidade de execução”, afirmou Henning Cosman, analista do Barclays.
Com metade das vendas já concentradas em modelos híbridos, a montadora busca transformar o Elettrica em um novo símbolo de desejo — especialmente na China, que deve se tornar peça-chave na estratégia global. “A Ferrari sempre cria algo que parecia impossível — em design, desempenho e emoção”, disse o empresário sueco Cristian Appelberg. “Assim que for possível encomendar o Elettrica, vou fazer isso. Confio plenamente neles.”