Estados Unidos aprovam nova pílula que reduz colesterol em até 60%
Medicamento oral atua sobre a proteína PCSK9, chega ao mercado nas próximas semanas e pode ampliar o acesso a uma classe de terapias hoje disponível principalmente em versões injetáveis.
Medicamento reduz o mau colesterol em até 60%. (Foto: Divulgação)
A agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos (FDA) aprovou uma nova pílula de uso diário para redução do colesterol LDL, conhecido como "mau colesterol". Segundo o The New York Times, o medicamento, desenvolvido pela Merck e comercializado com o nome Lipfendra, demonstrou em estudos clínicos capacidade de reduzir os níveis de LDL em até 60%, resultado comparável ao de terapias injetáveis da mesma classe.
A enlicitida atua bloqueando a proteína PCSK9, mecanismo já utilizado por medicamentos injetáveis indicados para pacientes com alto risco cardiovascular. A principal diferença é que a nova terapia será administrada por via oral, o que pode ampliar a adesão ao tratamento entre pacientes que evitam aplicações ou enfrentam restrições de cobertura por planos de saúde.
De acordo com a Merck, o preço de tabela será de US$ 315 para 30 dias de tratamento, abaixo dos medicamentos injetáveis atualmente disponíveis, que custam entre US$ 500 e US$ 600 por mês. A expectativa é que o produto chegue ao mercado norte-americano nas próximas semanas.
Os resultados apresentados pela farmacêutica são baseados em um estudo clínico de 24 semanas com 2.912 pacientes. Além da redução de até 60% do LDL, o medicamento não apresentou diferença significativa de efeitos colaterais em relação ao placebo.
A aprovação foi recebida de forma positiva por especialistas independentes. "Isso pode fazer uma grande diferença em relação ao custo dos inibidores injetáveis de PCSK9", afirmou David Maron, cardiologista preventivo da Universidade Stanford.
Hoje, as diretrizes da American Heart Association e do American College of Cardiology recomendam níveis de LDL inferiores a 70 para pessoas com risco elevado de infarto ou AVC e abaixo de 55 para pacientes que já sofreram eventos cardiovasculares. Os inibidores de PCSK9 já demonstraram reduzir em cerca de 20% a incidência de infartos, acidentes vasculares cerebrais e mortes por causas cardiovasculares em pacientes de alto risco, e a Merck conduz novos estudos para verificar se a versão oral produzirá os mesmos benefícios clínicos.