Do WhatsApp às ruas: como a inteligência artificial ajuda a construir uma cidade mais acessível
Projeto da Botmaker com o Guiaderodas usa inteligência artificial para oferecer respostas rápidas e confiáveis sobre acessibilidade em locais públicos e privados.
Erick Buzzi, Country Manager da Botmaker no Brasil. (Foto: Divulgação)
Um assistente virtual que responde, em segundos, se um restaurante tem banheiro adaptado ou se um museu está preparado para receber cadeirantes. É assim que o Gui, projeto criado pelo Guiaderodas em parceria com a Botmaker, coloca a acessibilidade no centro da conversa, dentro do WhatsApp.
"O funcionamento é simples e foi desenhado para ser inclusivo", explica Erick Buzzi, Country Manager da Botmaker no Brasil. "A pessoa conversa com o Gui como se falasse com um amigo e recebe respostas instantâneas, baseadas nas avaliações colaborativas do Guiaderodas."
O diferencial da iniciativa está em algo que vai além da tecnologia. "Quando falamos de acessibilidade, não basta entregar informação, é preciso entregar confiança", afirma Buzzi. Segundo ele, o desafio foi garantir que, ao transformar anos de dados e relatos em uma ferramenta de IA, o conteúdo não perdesse clareza, agilidade ou sensibilidade.
O objetivo é tornar previsível o que costuma ser incerto para quem enfrenta barreiras de mobilidade. "O usuário não faz uma busca genérica na internet, ele recebe uma resposta confiável e direcionada à sua necessidade. Isso permite planejar deslocamentos com segurança", diz o executivo.
Ao escolher o WhatsApp como canal, a Botmaker apostou na simplicidade para ampliar o alcance do projeto. "Queríamos colocar a acessibilidade literalmente na palma da mão", resume Buzzi. Para ele, o Gui mostra que inteligência artificial e empatia podem caminhar juntas e que inclusão não é um tema paralelo à tecnologia, mas parte essencial de seu avanço.
Como você enxerga o futuro das soluções baseadas em inteligência artificial?
A corrida da IA lembra muito outros momentos de transformação tecnológica, como a chegada da internet ou dos smartphones. Hoje vemos um grande volume de soluções sendo lançadas, mas acredito que, no futuro, só permanecerão aquelas que realmente entregarem valor para as pessoas. O que vai ficar é a personalização em escala, a capacidade de a IA entender contextos específicos e dar respostas precisas, humanizadas e úteis. Veremos cada vez mais projetos que unem tecnologia a propósito, como o Guiaderodas, porque a sociedade vai exigir soluções que sejam não só inovadoras, mas também éticas, responsáveis e centradas no ser humano.
Quais são os planos da Botmaker para o Brasil?
O Brasil é um mercado absolutamente estratégico para a Botmaker. Estamos presentes aqui desde 2017 e, hoje, atendemos desde grandes multinacionais até pequenas e médias empresas. Nosso foco é continuar ampliando o portfólio, tanto com inovações quanto fortalecendo parcerias que mostrem como a IA pode ter impacto real nos negócios e na sociedade, como vemos com o Guiaderodas. O país se destaca por ser um dos maiores usuários de mensageria do mundo e por ter grande abertura à inovação. Nosso objetivo é seguir crescendo aqui, mas também exportar conhecimento e boas práticas desenvolvidas no Brasil para outros mercados.
Que tipo de impacto social vocês já conseguem mensurar com o Guiaderodas?
O impacto mais imediato é a autonomia proporcionada aos usuários. Recebemos relatos de pessoas que conseguiram planejar uma viagem, escolher um restaurante ou participar de um evento cultural com mais confiança, porque puderam confirmar previamente a acessibilidade do local. Além dos relatos, já vemos um aumento consistente nas interações com o Gui desde o lançamento com a tecnologia da Botmaker. Isso mostra que a comunidade está usando e validando a ferramenta como algo útil no dia a dia.
Esse projeto pode ser considerado um modelo replicável para outras causas de impacto social?
Sim, absolutamente. O projeto Gui prova que, com uma comunidade engajada e dados relevantes, a IA conversacional se torna uma ponte poderosa para democratizar o acesso à informação. Esse modelo pode ser aplicado a diversas causas, como saúde preventiva, educação inclusiva e emergências humanitárias. A próxima fronteira é justamente essa, usar a IA para aproximar as pessoas de informações que mudam vidas.