Virada à vista: IG4 costura mudança histórica no controle da Braskem
Gestora negocia a aquisição da dívida da Novonor para convertê-la em participação acionária e redesenhar a governança da maior petroquímica da América Latina.
Planta de uma das unidades da Brasken. (Foto: Divulgação)
A Braskem, maior petroquímica da América Latina, caminha para uma mudança relevante em sua estrutura de controle. A gestora IG4 Capital assumiu a liderança das negociações para tomar o comando da companhia, em uma articulação que envolve os principais bancos credores da Novonor — antiga Odebrecht — e a Petrobras, hoje sócia estratégica da empresa.
A operação em curso prevê que a IG4 adquira a dívida da Novonor junto aos bancos, estimada em cerca de R$ 19 bilhões. Esses créditos seriam posteriormente convertidos em participação acionária na Braskem, permitindo que a gestora passe a deter o bloco de controle da petroquímica ao lado da Petrobras, que já possui uma fatia relevante do capital com direito a voto.
A negociação ocorre de forma coordenada com instituições financeiras como Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES, que buscam uma solução estruturada para a exposição ao grupo Novonor. A proposta em discussão evitaria uma execução judicial direta, optando por uma transição negociada do controle, com maior previsibilidade para todas as partes envolvidas.
Nesse novo arranjo, a IG4 teria papel ativo na redefinição da governança da Braskem, incluindo a indicação de executivos e a participação na formulação da estratégia da companhia, em conjunto com a Petrobras. A estatal, por sua vez, mantém interesse em fortalecer a gestão da petroquímica, considerada um ativo estratégico para a cadeia de óleo e gás e para a indústria nacional.
Embora a Braskem tenha reiterado em comunicados ao mercado que não está formalmente à venda, reconhece-se que conversas envolvendo seus acionistas seguem em andamento há meses. O avanço das tratativas com a IG4 representa, até aqui, o movimento mais concreto rumo a uma mudança efetiva no controle da empresa, conforme noticiado pelo portal InvestNews, nesta segunda-feira (15).
A possível reconfiguração acionária ocorre em um momento sensível para a Braskem, que enfrenta desafios operacionais, pressão sobre margens e passivos relevantes, incluindo questões ambientais em Maceió. A entrada de um novo controlador, com apoio dos bancos e alinhamento com a Petrobras, é vista no mercado como uma tentativa de reforçar a governança e dar maior estabilidade ao futuro da companhia.
Se concluída, a operação poderá marcar uma das mais significativas mudanças de controle no setor industrial brasileiro nos últimos anos, com impactos diretos sobre a estratégia, a gestão e o posicionamento da maior petroquímica do país.