Vale retoma liderança global na produção de minério de ferro em 2025

Companhia supera Rio Tinto em volume e reforça estratégia operacional, apesar de pressão sobre preços e valor de mercado.

Gustavo Pimenta_Foto Arthur Massao Felippe de Toledo (2)(1)Gustavo Pimenta, CEO da Vale. (Foto: Arthur Massao Felippe de Toledo)

A Vale voltou a ocupar a posição de maior produtora de minério de ferro do mundo em 2025, ao alcançar uma produção de 336 milhões de toneladas no ano. O volume superou as 327,3 milhões de toneladas reportadas pela australiana Rio Tinto, que liderava o ranking desde 2019. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (27), com informações do InvestNews.

A produção da Rio Tinto teve como principal base as operações de Pilbara, na Austrália, e ficou praticamente estável em relação a 2024. Em relatório operacional, a companhia informou que cumpriu o guidance anual, sem registrar impactos relevantes de ordem operacional.

A BHP, terceira maior do setor, ainda não divulgou o resultado fechado de 2025. No relatório referente ao semestre encerrado em dezembro, a empresa reportou produção de 134 milhões de toneladas e indicou guidance anual entre 258 milhões e 269 milhões de toneladas, mantendo-se abaixo de Vale e Rio Tinto no ranking global.

A Anglo American opera em escala menor. Até setembro de 2025, produziu 45,7 milhões de toneladas de minério de ferro e trabalha com guidance anual entre 58 milhões e 62 milhões de toneladas, concentradas nas operações da Kumba, na África do Sul, e do Minas-Rio, no Brasil.

No caso da Vale, o crescimento de 2,6% na produção anual foi atribuído a maior estabilidade operacional e ao avanço de projetos estratégicos. O destaque foi o complexo S11D, em Carajás (PA), que atingiu recorde de 86 milhões de toneladas em 2025 e se consolidou como principal vetor de crescimento da companhia.

No quarto trimestre, a produção somou 90,4 milhões de toneladas, alta de 6% na comparação anual, impulsionada pelo desempenho de Brucutu e pelo avanço dos projetos Capanema e VGR1, segundo comunicado da empresa.

Apesar do aumento de volume, os indicadores comerciais recuaram. O prêmio “all-in” do minério de ferro caiu para US$ 0,9 por tonelada no quarto trimestre, queda de 80,4% em relação ao mesmo período de 2024. O preço médio realizado dos finos foi de US$ 95,4 por tonelada, enquanto o das pelotas ficou em US$ 131,4 por tonelada.

A retomada da liderança ocorre em paralelo ao discurso da nova gestão da Vale, que tem reiterado a meta de recolocar a companhia no topo global também em valor de mercado. Em junho do ano passado, o CEO Gustavo Pimenta afirmou que a empresa precisa “destravar valor” e alcançar uma produção anual de 360 milhões de toneladas até 2030.

“Queremos alcançar uma posição que nunca deveríamos ter perdido”, disse o executivo. No plano financeiro, o desafio permanece: a Vale teem valor de mercado de US$ 43,9 bilhões, cerca de um terço da BHP e menos da metade da Rio Tinto.