Saneamento avança no mercado de capitais e se consolida como nova frente da renda fixa

Com R$ 45 bilhões em debêntures e avanço dos leilões, setor atrai investidores e ganha protagonismo no financiamento de projetos.

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Setor de saneamento se consolida como uma nova alternativa de renda fixa no Brasil. (Foto: Divulgação)

O setor de saneamento tem se consolidado como uma nova alternativa de renda fixa no Brasil, impulsionado pelo avanço dos leilões de projetos e pela ampliação do acesso ao mercado de capitais. Segundo a Bloomberg, as emissões de debêntures somaram R$ 44,7 bilhões em 2025, refletindo o crescimento da participação privada em um segmento historicamente dependente de recursos públicos.

Apenas no primeiro trimestre de 2026, o volume emitido alcançou R$ 11,4 bilhões, evidenciando a escala dos investimentos necessários para a universalização dos serviços até 2033 e a maior confiança dos investidores no setor. “O saneamento tem registrado praticamente o mesmo volume de emissões de debêntures que o setor de rodovias, cujo mercado privado vem amadurecendo há mais de 30 anos”, afirma Saulo Puttini, sócio do Levy & Salomão Advogados.

Com projetos de longo prazo, o setor apresenta características específicas de retorno. “O prazo médio de retorno do investimento desses títulos (duration) é significativamente mais longo do que seus pares em rodovias, chegando a 30 anos”, acrescenta Puttini.

Na avaliação de Douglas Bassi, sócio da Virtus BR Partners, o segmento já se consolidou como uma opção relevante para investidores. “É preciso avaliar o todo para saber se há algum risco corporativo, mas no geral as debêntures [do setor] pagam boas taxas com risco relativamente baixo.”

Desde a aprovação do novo marco regulatório, em 2020, cerca de R$ 202 bilhões em investimentos foram contratados por meio de 66 leilões, abrangendo aproximadamente 1.700 municípios. O volume desembolsado atingiu R$ 29 bilhões em 2024, alta de 67% em relação ao período anterior à mudança regulatória.

Apesar do avanço, o setor ainda enfrenta desafios relacionados ao alto volume de investimentos e à necessidade de segurança jurídica. “Trata-se de uma indústria relativamente nova, que ainda precisa testar reequilíbrios de contratos, por exemplo. Mas o mercado está acreditando muito”, diz Puttini.

A avaliação é reforçada por Ilana Ferreira, diretora técnica da Abcon, que destaca o momento de transformação do setor. “Passamos por uma transformação muito drástica no setor, uma mudança normativa quase visceral. De modo geral, os estados todos estão se movimentando para a universalização”, afirma.

Ela também chama atenção para a importância da segurança jurídica no processo. “Precisamos de um olhar atento para os pedidos de reequilíbrio contratual. Para garantir a adaptação ao novo marco e o atendimento à população, a segurança jurídica nesse processo é essencial”, diz Ferreira.