Retorno ao presencial pressiona aluguéis de escritórios em São Paulo
Queda da vacância e oferta limitada elevam preços em regiões como Faria Lima e Paulista.
Retomado do trabalho presencial aumenta a disputa por áreas corporativas e eleva os valores das locações. (Foto: Unsplash)
O avanço do trabalho presencial tem reduzido o volume de escritórios vagos em São Paulo e intensificado a disputa por áreas corporativas, especialmente nas regiões mais consolidadas da cidade. Com a oferta crescendo em ritmo mais lento, os valores de locação seguem em trajetória de alta.
Levantamento da consultoria global JLL, divulgado pela Bloomberg, mostra que a taxa média de vacância dos escritórios de alto padrão (classes A e AA) encerrou 2025 em 14,7%, nível próximo ao observado antes da pandemia. Em áreas mais disputadas, como a Nova Faria Lima, a vacância caiu para 6%, enquanto na avenida Paulista chegou a 4%.
Segundo a JLL, o movimento de retorno integral das equipes aos escritórios gera uma necessidade imediata de ampliação de área ocupada, pressionando o mercado em regiões com estoque restrito. Na Nova Faria Lima, o preço médio pedido em 2025 foi de R$ 303 por metro quadrado, com casos pontuais chegando a R$ 350.
Outros eixos também passaram por valorização. A avenida Rebouças, incorporada como região corporativa em 2022, registrou preço médio de R$ 180 por metro quadrado em 2025, ante valores entre R$ 120 e R$ 130 no início da série, com vacância de 9%, abaixo da média da cidade.
Ao fim de 2025, São Paulo somava um estoque total de 5,1 milhões de metros quadrados de escritórios de alto padrão, com preço médio mensal de R$ 117 por metro quadrado, alta de 12,2% em relação a 2024. As entregas de novos espaços no ano totalizaram 84 mil metros quadrados, volume considerado limitado frente ao avanço da demanda.
O aquecimento do mercado também se refletiu em grandes transações. Dez contratos acima de 10 mil metros quadrados foram fechados em 2025, o maior número desde 2016, com destaque para operações envolvendo instituições financeiras e empresas localizadas próximas à avenida Paulista.
Com preços elevados nas regiões mais tradicionais, parte da demanda começa a migrar para eixos alternativos, como a Chácara Santo Antônio, impulsionada pela valorização da Chucri Zaidan. A expectativa é de lançamentos restritos em 2026, concentrados em poucos empreendimentos de grande porte, mantendo o cenário de pressão sobre os valores de locação.