Portugal busca investidores brasileiros para construir até duas usinas de biocombustíveis
Projeto pode envolver uma joint venture para produzir combustível sustentável de aviação e atender aos mercados português e europeu.
Governos buscam invetidores na construção de usinas de biocombustíveis avançados e combustível sustentável de aviação (SAF). (Foto: Reprodução/Embraer)
Portugal e Brasil trabalham para atrair investidores brasileiros interessados na construção de uma ou duas usinas de biocombustíveis avançados e combustível sustentável de aviação (SAF) em território português. O projeto poderá assumir o formato de uma joint venture e terá como alvos os mercados interno e europeu.
De acordo com a Reuters, a ministra da Energia de Portugal, Maria da Graça Carvalho, discutirá a proposta com seu homólogo brasileiro durante uma reunião em Brasília na próxima semana. Ela também pretende visitar usinas no país para conhecer de perto a estrutura brasileira de produção.
A estratégia busca combinar a experiência tecnológica do Brasil em biocombustíveis com a posição de Portugal como porta de entrada para a Europa, onde cresce a demanda por combustíveis de baixo carbono. A ministra afirmou que a iniciativa conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“O Brasil é líder há muitos anos e possui experiência tecnológica significativa em biocombustíveis avançados e SAF, e queremos oferecer as condições em Portugal para a instalação de uma ou duas usinas para produzir esses combustíveis”, disse Carvalho.
A eventual instalação das unidades seria conduzida por meio da AICEP, agência portuguesa responsável pela atração de investimentos estrangeiros. “Estamos considerando uma espécie de joint venture por meio da qual poderíamos produzir não apenas para o mercado português, mas também para o mercado europeu”, afirmou a ministra.
Mercado ainda em desenvolvimento
A indústria portuguesa de biocombustíveis avançados ainda está em estágio inicial. Um dos principais projetos em andamento é o da Galp, que constrói em Sines uma usina de combustíveis renováveis com capacidade para produzir 270 mil toneladas por ano. A operação deve começar a fabricar SAF e diesel renovável em 2026.
Além da cooperação em biocombustíveis, Brasil e Portugal mantêm uma relação relevante no setor energético. O mercado brasileiro responde por 44% das importações portuguesas de petróleo, o que torna o país o maior fornecedor do produto para Portugal.
A Argélia aparece como o segundo principal fornecedor de petróleo, enquanto Nigéria e Estados Unidos lideram o abastecimento português de gás natural. Essa composição reduz a dependência de Portugal em relação ao Golfo Pérsico, embora o país permaneça exposto às oscilações globais dos preços da energia.