Petrobras retoma produção de fertilizantes e investe em frota própria de apoio marítimo

Companhia reativa unidades na Bahia e Sergipe, investe em novas embarcações e amplia estratégia de integração industrial e logística.

Magda Chambriard (4)Magda Chambriard, CEO da Petrobras. (Foto: Divulgação)

A Petrobras vai investir para reativar a produção de fertilizantes na Bahia e em Sergipe, com início previsto para o primeiro trimestre de 2026. Segundo a Bloomberg Línea, as duas plantas entrarão em manutenção imediata, com aporte de cerca de R$ 38 milhões cada, e devem produzir ureia e Arla 32 — solução de ureia usada em veículos pesados.

“Não acreditamos em negócio ruim para a Petrobras. Os negócios têm que ser rentáveis, além de um ‘ganha-ganha’ tanto para a sociedade local quanto para nossos investidores”, afirmou a CEO Magda Chambriard, em entrevista coletiva.

Com as unidades da Bahia, Sergipe e Paraná (ANSA), a estatal estima atender 20% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados. A operação e manutenção das duas fábricas do Nordeste serão conduzidas pela empresa Engeman, por meio de um contrato de cinco anos no valor de R$ 1 bilhão, sendo R$ 520 milhões destinados à planta baiana.

No segmento de logística marítima, a companhia também prepara investimentos robustos para ampliar a frota própria. Chambriard ressaltou que “quase 100% da produção da Petrobras é no mar”, o que exige embarcações de apoio para atividades de produção, segurança e transporte.

“Só na holding, sem contar [a frota da] Transpetro, são mais de 400 barcos. Quando aderimos à iniciativa de fazer barcos próprios, estamos inclusive tratando de fazer preço, e portanto, influenciar nesse preço, fazendo bons e melhores negócios em termos de logística”, explicou.

A estatal antecipou para 2025 o prazo para contratar 48 novas embarcações, das quais 44 já foram licitadas ou estão em fase de edital. O plano prevê participação de estaleiros nacionais e estrangeiros. “Já temos contratados ou com edital na rua 44 [embarcações]. Agora em outubro, no máximo no início de novembro, estamos botando mais quatro navios com edital na rua”, disse Chambriard.

O estaleiro Enseada, na Bahia, será responsável pela construção de seis embarcações, com investimento total de R$ 2,5 bilhões, dentro de um contrato de quatro anos para construção e 12 anos de operação. “Trabalhamos para diversificar os estaleiros, como garantia de fornecimento e minimização dos riscos envolvidos para não colocar todos os ovos na mesma cesta”, afirmou.

A Petrobras também investe no descomissionamento de plataformas, com a unidade de São Roque do Paraguaçu, na Bahia, retomando operações para receber até duas estruturas. “Estamos otimizando negócios e trazendo para o jogo instalações que são da Petrobras, mas que não estavam sendo utilizadas”, completou a executiva.