'O Mato Grosso do Sul terá um estado carbono neutro em 2030', diz Jaime Verruck
Estado detalha projetos de biomassa, biometano e energia solar distribuída; setor agropecuário cobra expansão da infraestrutura elétrica.
O secretário de Desenvolvimento, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia do Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, afirmou que o estado opera com 94% de matriz energética renovável e segue um plano para se tornar carbono neutro até 2030. Em debate sobre sustentabilidade, ele apresentou iniciativas em bioenergia, biometano e eletrificação descentralizada no Pantanal e destacou gargalos nacionais de transmissão e distribuição de energia.
Verruck comparou a dimensão territorial do estado à da Alemanha e destacou a concentração de geração renovável. “O Mato Grosso do Sul tem 94% da sua matriz renovável”, disse, apontando a liderança estadual em energia de biomassa produzida pelos setores sucroenergético e de celulose. Ele afirmou que 50% da energia gerada no estado é injetada no sistema nacional e observou que “o Brasil hoje produz mais energia do que ele efetivamente precisa”, mas enfrenta limite na rede: “temos um grande problema hoje de transmissão e distribuição […] o sistema está literalmente saturado”.
O secretário relatou que a eletrificação do Pantanal, região de cerca de 10 milhões de hectares, foi realizada com sistemas individuais de energia solar com baterias instaladas em 3.000 pontos. A alternativa substituiu a construção de linhões, que apresentavam riscos ambientais e custos elevados. Segundo ele, o modelo já inspira soluções para regiões da Amazônia com dificuldade de acesso à rede convencional.
Verruck afirmou que o arcabouço legal brasileiro permite avanço na transição e destacou o biometano como rota estratégica para descarbonizar o transporte pesado. No estado, já foram captados mais de R$ 3 bilhões para projetos, estruturando o chamado “corredor azul”, que integra gás natural e biometano. Ele afirmou que caminhões Iveco e Scania movidos a biometano já estão em teste em rotas de proteína animal destinadas a São Paulo.
O secretário comentou ainda as discussões sobre o acordo Mercosul–União Europeia, citando impacto do regulamento europeu de desmatamento (EUDR) a partir de 2026 e a adesão do estado ao selo verde europeu. Na COP 30, segundo ele, o Mato Grosso do Sul formalizou parceria para implantar o selo e oferecer garantia de conformidade a exportadores e importadores.
Verruck também descreveu mecanismos estaduais de carbono, como pagamento por serviços ambientais (PSA) para recomprar direitos de desmatamento e a exigência de inventários de emissões para empresas industriais. Na agropecuária, citou metodologias de carne carbono neutro e carne de baixo carbono desenvolvidas pela Embrapa. Ele afirmou: “Reafirmamos agora na COP 30 que nós vamos conseguir em 2030 confirmar que o território do Mato Grosso do Sul será um estado carbono neutro”.
Agro vê entraves de infraestrutura energética
O CEO da JBJ Agropecuária, José Batista Júnior, afirmou que o principal obstáculo para ampliar a produção agropecuária é a infraestrutura elétrica. “O maior problema hoje de produzir no agro […] é a falta de transmissão e distribuição de energia”, disse, avaliando que a limitação compromete a expansão de projetos produtivos.
Júnior relacionou energia e produção de alimentos, afirmando que “uma das maiores matrizes energéticas que nós temos no Brasil é o alimento para a vida”, e sustentou que o setor cumpre papel relevante na oferta global. Ele concluiu dizendo que “não é verdade que o agro está deteriorando ou poluindo ou destruindo o meio ambiente” e afirmou que a atividade “está […] ajudando a alimentar a vida”.