Meteoric Resources estrutura parceria para destravar projeto bilionário no Brasil
Meteoric busca parceiro para avançar em projeto em Minas Gerais e reduzir dependência global da China no fornecimento desses minerais.
Mineradora Meteoric Resources busca parceiros no Brasil para para reduzir a dependência da China. (Foto: Unsplah)
A mineradora australiana Meteoric Resources está em busca de um parceiro estratégico para viabilizar seu projeto de terras raras no Brasil, avaliado em cerca de US$ 440 milhões, em um movimento que reflete a corrida global por esses minerais considerados críticos para a transição energética e para indústrias de alta tecnologia, segundo a Bloomberg.
Listada na bolsa da Austrália, a companhia vem mantendo conversas com mineradoras e tradings em diferentes regiões do mundo para estruturar a fase financeira do projeto Caldeira, localizado em Minas Gerais. A empresa pretende acelerar as negociações após obter a licença ambiental preliminar e trabalha para tomar a decisão final de investimento ainda neste ano, de acordo com o CEO, Marcelo Carvalho, em entrevista à Bloomberg.
A Meteoric planeja iniciar a produção em 2028, com foco no fornecimento de terras raras utilizadas em veículos elétricos, turbinas eólicas e outros equipamentos de alta tecnologia. A estrutura de capital prevista para o projeto combina 60% de dívida e 40% de capital próprio, modelo que a companhia considera adequado para reduzir riscos e ampliar o retorno do investimento.
A busca por parceiros ocorre em um contexto de esforços crescentes de países ocidentais para reduzir a dependência da China, que hoje responde por cerca de 90% da produção global de ímãs permanentes de terras raras. Segundo Carvalho, a empresa mantém conversas com agências governamentais dos Estados Unidos, da União Europeia e da Austrália para possíveis linhas de financiamento e acordos de fornecimento de longo prazo.
De acordo com a Bloomberg, as negociações com esses governos podem incluir contratos de offtake, mas um dos principais desafios é a precificação de longo prazo, já que os preços globais ainda são fortemente influenciados pela política industrial chinesa. Mesmo assim, a Meteoric já obteve cartas de intenção não vinculantes e mantém diálogo com o BNDES sobre possíveis estruturas de financiamento.
Para ampliar sua base de compradores e reduzir riscos comerciais, a companhia também estuda investir em uma planta de separação de óxidos de terras raras, com custo estimado em cerca de US$ 300 milhões. Com essa etapa adicional de processamento, a empresa poderia vender diretamente para fabricantes de ligas metálicas e ímãs, capturando maior valor na cadeia.
Segundo o executivo, a integração vertical permitiria maior flexibilidade comercial em um mercado ainda marcado pela escassez de capacidade de processamento fora da China. “Há muito mais compradores interessados em óxidos separados do que em carbonato misto”, afirmou Carvalho à Bloomberg, destacando que a estratégia pode reduzir significativamente o risco de comercialização da produção futura.