Inter aposta em plataforma de pagamentos internacionais para avançar nas Américas

Banco transforma operação de pagamentos internacionais em frente de crescimento, amplia atendimento a estrangeiros e prepara avanço na Argentina.

tech-bancointer-300321-divulgacao-900x600
Inter aposta em pagamentos internacionais para avançar como banco regional nas Américas. (Foto: Divulgação)

O Inter pretende transformar sua infraestrutura de pagamentos internacionais em uma das principais frentes de crescimento para avançar como banco regional nas Américas. Entre dezembro de 2022 e dezembro de 2025, o volume financeiro movimentado pela plataforma cross-border aumentou aproximadamente 280%, enquanto a quantidade de transações processadas cresceu cerca de 940%.

Em entrevista à Bloomberg Línea, Cassio Segura, country manager do Inter nos Estados Unidos, e Ralf Boragina, head de cross-border do banco, afirmaram que a plataforma passou a atender não apenas brasileiros, mas também estrangeiros, empresas e instituições financeiras que precisam processar pagamentos internacionais, mesmo sem presença operacional no Brasil ou nos Estados Unidos.

“O Banco Inter criou uma infraestrutura muito forte de processamento de pagamentos e recebimentos. Nós somos hoje o segundo maior emissor de remessas no ranking do Banco Central no Brasil, o que nos trouxe o diferencial competitivo no segmento de transações cross-border”, afirmou Segura.

A operação começou a ganhar escala em 2022, quando o Inter adquiriu a americana USEND, instituição de serviços monetários. Desde então, a plataforma ampliou sua cobertura global e foi migrada para a nuvem, movimento que aumentou a capacidade de processamento e a estabilidade das transações.

Para Boragina, o diferencial está na oferta de uma estrutura integrada para pagamentos e recebimentos internacionais. “A maioria dos bancos faz câmbio, mas nem todos fazem cross-border”, disse.

Novos perfis de clientes

A demanda pelas soluções internacionais deixou de estar concentrada apenas em brasileiros que vivem no exterior. O banco passou a atender também clientes que permanecem em seus países de origem, mas recebem renda, investem ou mantêm despesas em moedas estrangeiras, movimento impulsionado pelo trabalho remoto e pela contratação de profissionais por empresas globais.

“Mesmo sem sair do Brasil, existe uma população imensa que investe e consome em outras moedas ou que tem receita em outras moedas. Qualquer pessoa da América Latina pode ter uma conta nos Estados Unidos e acessar o mercado americano. Estamos democratizando o acesso dessas pessoas a um mercado mais global”, afirmou Segura.

No varejo, o Inter reúne cerca de 6 milhões de usuários com conta global. Desse total, 1,1 milhão utiliza a estrutura para investir no mercado acionário americano.

Na frente corporativa, o banco processa pagamentos para agregadores, fintechs, bancos e instituições financeiras da Ásia, Europa e Oriente Médio que utilizam sua infraestrutura para liquidar operações entre Brasil e Estados Unidos.

Embora os brasileiros ainda representem 99% da base de clientes do Inter nos Estados Unidos, a operação já atende usuários de outras 16 nacionalidades. “O banco do nosso cliente também tem que estar borderless”, declarou Segura.

Próximo passo na Argentina

A Argentina deve ser o próximo mercado da expansão regional do Inter. O banco oferece uma conta global no país desde o ano passado e pretende utilizar sua infraestrutura de pagamentos internacionais para ampliar a atuação local.

A estratégia também se apoia nas licenças regulatórias acumuladas pelo Inter nos Estados Unidos. Além de uma corretora e de uma financeira voltada ao crédito imobiliário para estrangeiros, o grupo controla uma licença de instituição de serviços monetários, que sustenta a operação de pagamentos internacionais, e obteve recentemente uma licença bancária americana.

Na avaliação de Boragina, essa estrutura regulatória será um dos pilares da expansão internacional. “O Inter está funcionando como uma multinacional brasileira, como um banco global brasileiro indo para fora e ocupando espaço”, afirmou.