Huawei acelera negócio de US$ 11 bilhões em energia limpa e mira fábrica no Brasil
Divisão de energia da empresa chinesa já movimenta US$ 11 bilhões, participa de projeto em Fernando de Noronha e vê o Brasil como mercado estratégico para expansão.
Roberto Valer, diretor de tecnologia da Huawei Digital Power Brasil. (Foto: Divulgação)
A Huawei encontrou na transição energética uma nova frente de crescimento para seus negócios. Segundo a Bloomberg, a divisão Huawei Digital Power faturou mais de US$ 11 bilhões no último ano e amplia sua presença em mercados emergentes, como o Brasil, onde participa de um dos maiores projetos de armazenamento de energia da América Latina e avalia instalar uma unidade fabril no país.
A empresa é uma das fornecedoras de equipamentos para o sistema de armazenamento de energia que está sendo implantado em Fernando de Noronha. O projeto pretende reduzir a dependência do arquipélago do diesel utilizado para abastecer sua rede elétrica, substituindo parte da geração por fontes renováveis.
Criada para atuar em soluções de energia limpa, a Huawei Digital Power reúne um portfólio que inclui sistemas de armazenamento em baterias, inversores solares e infraestrutura para recarga de veículos elétricos. Embora represente uma parcela menor da receita da companhia, a unidade tem registrado crescimento de dois dígitos e se consolidou como uma das principais avenidas de expansão da empresa, especialmente após as restrições impostas pelos Estados Unidos e parte da Europa aos seus negócios de telecomunicações.
"A expansão da Huawei para a energia limpa e setores relacionados é um ponto de inflexão, cuja escala e urgência foram realmente aceleradas pelas sanções dos EUA", afirmou William Kirby, professor da Universidade Harvard e especialista em empresas chinesas.
No Brasil, a empresa já assinou contratos de armazenamento em baterias com capacidade para abastecer cerca de 90 mil residências por dia e lidera o fornecimento de inversores solares no mercado nacional, segundo a companhia. A Huawei também iniciou a comercialização de equipamentos para recarga de veículos elétricos, de olho no crescimento desse segmento.
Embora o alto custo da produção local ainda represente um desafio, a companhia vê o mercado brasileiro como estratégico para sua expansão na América Latina. "Não temos nenhum problema aqui [no] Brasil", afirmou Roberto Valer, diretor de tecnologia da Huawei Digital Power Brasil.
A expansão pode incluir uma fábrica no país. De acordo com Roberto Valer, diretor de tecnologia da Huawei Digital Power Brasil, a empresa avalia instalar uma unidade de produção local, embora os custos da fabricação ainda sejam um desafio. "Não temos nenhum problema aqui [no] Brasil", afirmou o executivo ao comentar o ambiente para novos investimentos.
A aposta acompanha o avanço global da transição energética. Dados da BloombergNEF mostram que os investimentos mundiais em tecnologias limpas alcançaram US$ 2,3 trilhões no ano passado, impulsionando a demanda por equipamentos para geração, armazenamento e distribuição de energia renovável. Nesse cenário, o mercado latino-americano de armazenamento de energia deve crescer, em média, 8% ao ano até 2034, segundo projeções da consultoria Wood Mackenzie.