'Estamos nos aproximando da concretização de um sonho que existe há 20 anos', diz Marco Nocivelli
Em Roma, autoridades e empresários destacam que a conclusão do acordo Mercosul–UE pode ampliar trocas e destravar oportunidades bilaterais.

Marco Nocivelli, vice-presidente da Confindustria, defende o acordo Mercosul com a União Europeia durante o LIDE Brasil Itália Fórum. (Foto: Bruna Lopes/LIDE)
O avanço das negociações do acordo Mercosul–União Europeia e seu impacto sobre a relação econômica entre Brasil e Itália concentrou as discussões do LIDE Brasil Itália Fórum, em Roma. Participantes apontaram que o tratado pode elevar o nível atual de trocas e abrir novas frentes industriais, tecnológicas e regulatórias entre as duas economias.
O vice-presidente da Confindustria, Marco Nocivelli, afirmou que o processo representa “a concretização de um sonho que existe há 20 anos” e estimou que o fluxo bilateral hoje está na casa de “10 bi de euros, portanto 60 bilhões de reais”. Segundo ele, análises indicam que, diante de precedentes como os acordos com Canadá, Japão e Coreia do Sul, esse volume “pode crescer ainda mais”, com potencial de incremento superior a 50 bilhões de euros nas trocas entre Brasil e Europa.
Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, reforça o impacto do acordo no estímulo de investimentos estratégicos. Foto: Bruna Lopes/LIDE)
A mesma perspectiva de reconfiguração econômica foi destacada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, para quem o acordo reúne “valores, compromissos e expectativas de longo prazo”. Ele lembrou que Mercosul e União Europeia somam mais de 700 milhões de pessoas e cerca de 20% do PIB mundial e afirmou que o entendimento pode redefinir competitividade, consolidar cadeias de valor e estimular investimentos estratégicos.
Renato Mosca, embaixador do Brasil na Itália. (Foto: Bruna Lopes/LIDE)
O embaixador do Brasil na Itália, Renato Mosca, reforçou o otimismo ao afirmar que é “muito otimista em relação ao conclusão do acordo União Europeia Mercosul”. Ele destacou que o governo italiano mantém apoio ao tratado e que eventuais preocupações do setor agroalimentar europeu estão sendo tratadas. Mosca disse não acreditar “absolutamente nenhuma invasão de produtos sul-americanos”, apontando, ao contrário, “um enorme fluxo de produtos europeus e em especial italianos nos países do Mercosul”. Para ele, o setor agroalimentar italiano será beneficiado com a redução progressiva de tarifas.
Francesco Lollobrigida, ministro da Agricultura da Itália. (Foto: Bruna Lopes/LIDE)
A posição italiana também foi detalhada pelo ministro da Agricultura da Itália, Francesco Lollobrigida, que destacou a relevância estratégica do Brasil e afirmou que a relação entre os dois países “abre grandes oportunidades de caráter econômico”. Ele ressaltou que a aproximação com o Mercosul é “uma grande oportunidade” e defendeu que a redução de tarifas seja acompanhada de “certeza de regras”. Ele abordou preocupações do setor agroalimentar e afirmou que alguns operadores temem “alguma invasão”, mas reiterou a necessidade de assegurar condições equitativas de produção.
A construção de confiança institucional necessária para sustentar novas relações comerciais foi abordada pelo ministro do Tribunal de Contas da União, João Augusto Ribeiro Nardes. Ele afirmou que “sem boa confiança não existe negócios” e mencionou indicadores desenvolvidos pelo TCU nas áreas de integridade, transparência e avaliação de risco, hoje utilizados como referência por mais de 100 países. Nardes afirmou que o Brasil está “preparado para mostrar os indicadores da nação brasileira” a parceiros comerciais.