Enel quer ampliar fornecedores no Brasil, seu 3º maior mercado, e dá novo peso à relação econômica Brasil–Itália

No LIDE Brasil Itália Fórum, Enel detalha plano de expansão no Brasil, Vale reforça minerais críticos e debates regulatórios e climáticos completam o cenário.

Ricardo Pozzi, diretor da Enel Itália. Foto_Bruna Lopes_LIDERicardo Pozzi, diretor da Enel Itália, aposta em plano de expansão e investimento no Brasil. (Foto: Bruna Lopes/LIDE)

A Enel anunciou no LIDE Brasil Itália Fórum, em Roma, que pretende ampliar sua cadeia de fornecedores no Brasil, agora considerado o terceiro país mais importante para a companhia no mundo. A estratégia, alinhada ao plano de investimentos e às parcerias industriais, somou-se às projeções da Vale sobre minerais estratégicos e à discussão institucional sobre arcabouço climático.

Diretor da Enel Itália, Ricardo Pozzi afirmou que “o Brasil se tornou o nosso terceiro país em nível mundial e, depois da Itália, é um dos mais importantes para nós”. Ele citou o plano de “25 bilhões de reais de investimentos no Brasil”, concentrado na distribuição de energia em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. Pozzi disse que a empresa busca intensificar a relação com a indústria nacional, ampliando o número de fornecedores e reforçando a criação de empregos — com previsão de 5.000 novas contratações nos próximos anos, além das 2.000 realizadas no ano anterior. Também mencionou a incorporação ao mercado brasileiro de tecnologias desenvolvidas na Itália, como os smart meters, hoje produzidos localmente.

Kennedy Alencar, diretor de relações institucionais da Vale. Foto_Bruna Lopes_LIDE (2)Kennedy Alencar, diretor de relações institucionais da Vale. (Foto: Bruna Lopes/LIDE)

Em seguida, o diretor de relações institucionais da Vale, Kennedy Alencar, defendeu que “a mineração legal e responsável tem tudo a ver com o combate à mudança climática”. Ele citou Carajás como exemplo de preservação — “97% da floresta amazônica” em uma área de 800 mil hectares — e ressaltou o papel de minerais críticos como cobre, níquel, lítio, terras raras e minério de ferro de alto teor para a eletrificação e a descarbonização. Kennedy afirmou que o Brasil “foi abençoado com a tabela periódica de A” e disse que o país pode “ser líder global na transição energética”. Ele associou a agenda ambiental ao combate à desigualdade, mencionando programas sociais, bioeconomia, proteção florestal e parcerias com comunidades.

Arcabouço legislativo e cooperação internacional

Weverton Rocha, senador. Foto_Bruna Lopes_LIDEO senador Weverton Rocha apresentou um panorama das políticas climáticas e energéticas já aprovadas pelo Congresso. (Foto: Bruna Lopes/LIDE)

O senador Weverton Rocha (PDT-MA) apresentou um panorama das políticas climáticas e energéticas já aprovadas pelo Congresso, como a Política Nacional sobre Mudança do Clima, o Código Florestal, o RenovaBio, o marco do saneamento básico, a legislação de geração distribuída e o marco da energia offshore. Ele citou também o debate sobre crédito de carbono e projetos sobre inteligência artificial, data centers e transição energética justa.

 

Antonella Cavallari, secretária-geral do Instituto Italo-Latino Americano. Foto_Bruna Lopes_LIDE (2)Antonella Cavallari, secretária-geral do Instituto Ítalo-Latino Americano. (Foto: Bruna Lopes/LIDE)

A secretária-geral do Instituto Ítalo-Latino Americano, Antonella Cavallari, destacou a cooperação internacional como ponto central da resposta à crise climática. Ela definiu o controle climático como “resposta estratégica a uma crise que não conhece fronteiras” e descreveu o IILA como ponte entre Europa e América Latina. Cavallari citou iniciativas em economia circular, tratamento de águas, reflorestamento, preparo de empresas para as exigências do regulamento europeu EUDR e formação profissional em tecnologias de monitoramento climático.