Dasa fecha maior investimento da história para modernizar 18 núcleos e acelerar expansão

Contrato de longo prazo com Roche e outros fornecedores marca retomada de agenda de crescimento após ciclo de desalavancagem.

Leonardo Vedolin, vice-presidente Médico e Produção da DasaLeonardo Vedolin, vice-presidente Médico e Produção da Dasa. (Foto: Divulgação)

A Dasa iniciou a execução do maior investimento de sua história para renovar e modernizar 18 Núcleos Técnico-Operacionais (NTOs) no país, em movimento que marca a retomada da agenda de crescimento após período de foco na redução de endividamento. A informação foi antecipada à Bloomberg Línea.

O valor não foi divulgado, mas o processo envolveu uma concorrência no setor e resultou na escolha de fornecedores globais como Roche, Abbott, Beckman Coulter, Mindray, Stago e QuidelOrtho, em contratos de longo prazo.

“Nunca havíamos feito um investimento desse tamanho antes. A decisão de realizar agora é porque encontramos um momento estratégico adequado, com uma condição de mercado que nos colocou em uma posição muito vantajosa em termos comerciais”, disse Leonardo Vedolin, vice-presidente Médico e Produção da Dasa, em entrevista à Bloomberg Línea.

O investimento contempla a renovação de cerca de 70% do core lab da companhia, responsável por mais de 450 milhões de exames por ano. O plano inclui modernização de unidades existentes e abertura de novos NTOs em praças estratégicas, com execução prevista até o fim de 2026.

“Vamos abrir um novo NTO em Brasília e temos planos de inaugurar neste ano em Belo Horizonte e expansão em Salvador, sem contar São Paulo e Rio, que são nossos carros-chefe. Ou seja, cinco grandes praças”, afirmou Vedolin. Também houve mudanças em unidades como Cascavel (PR) e Florianópolis (SC).

Segundo o executivo, a expectativa é capturar ganhos de escala, eficiência e inovação por um período de sete a dez anos. “A expectativa é gerar valor no futuro, por pelo menos sete anos a dez anos em um nível muito elevado”, disse.

A estratégia inclui redução do número de fornecedores e ampliação de contratos de longo prazo. “Tomamos essa decisão por acreditar que essa dinâmica de mercado com mais incertezas e menos previsibilidade vai continuar. Isso significa que é importante contar com players globais que tenham resiliência operacional.”

A Roche Diagnóstica foi a principal selecionada para a renovação dos equipamentos, em contrato de sete anos que amplia parceria iniciada em 2007. “A parceria representa um marco histórico não apenas para o Brasil mas também para a Roche, sendo uma das maiores concorrências das quais a companhia já participou em todo mundo e a maior na América Latina”, afirmou Carlos Martins, CEO da Roche Diagnóstica no Brasil, em comunicado. “A entrega para a Dasa vai muito além de equipamentos: estamos implementando um ecossistema de altíssima eficiência e inteligência laboratorial”.

Vedolin afirmou que o investimento considera fatores como mudanças na cadeia global de suprimentos no pós-pandemia, juros e inflação mais elevados e a incorporação de novas tecnologias. “Temos que mitigar esses riscos”, disse. Ele acrescentou que “não há uma nova tecnologia disruptiva que leve a uma grande transformação”, mas destacou avanços em áreas como oncologia, cardiologia e neurologia.

O movimento ocorre após a companhia concluir a segregação do negócio hospitalar na Rede América, por meio de joint venture com a Amil, reforçando o foco em medicina diagnóstica, tanto no B2C quanto no B2B.

No terceiro trimestre, a alavancagem estava em 2,62 vezes o Ebitda dos últimos doze meses, em trajetória de redução. Nos nove primeiros meses de 2025, o Ebitda consolidado somou R$ 2,137 bilhões, com margem de 24,0%. A geração de caixa operacional foi de R$ 482 milhões.

As ações da Dasa (DASA3) acumulam alta de cerca de 135% nos últimos doze meses, o que atribui valor de mercado de R$ 5,15 bilhões.