BNDES vai investir R$ 1 bilhão em ETFs e quer destravar avanço do mercado

Seleção de cinco fundos para aportes de R$ 200 milhões deve ampliar liquidez, atrair institucionais e acelerar estratégias mais sofisticadas no mercado brasileiro de índices.

BNDES_Fernando Frazão_agenciabrasil.ebc (11)Iniciativa do Banco pode impulsionar o desenvolvimento do setor e ser um catalisador para que fundos de pensão. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai injetar R$ 1 bilhão no mercado brasileiro de ETFs ao selecionar cinco fundos de índice para receber aportes de R$ 200 milhões cada, segundo o InvestNews. A chamada pública, aberta até 5 de dezembro, escolherá três ETFs de ações, um de renda fixa e um híbrido, por meio do BNDESPar.

A escala da iniciativa é vista como decisiva para o desenvolvimento do setor. Para Cristiano Castro, diretor de desenvolvimento de negócios da BlackRock Brasil, o tamanho dos aportes deve destravar estratégias até hoje limitadas pelo porte dos fundos. “R$ 200 milhões por ETF é perfeito. Tínhamos receio de que fosse um valor simbólico, mas é significativo e ajuda a destravar várias estratégias”, disse ao InvestNews.

O programa pode funcionar como um catalisador para que fundos de pensão, gestoras e family offices passem a incorporar mais ETFs às carteiras, ampliando liquidez e atraindo novos investidores. Hoje, o mercado é altamente concentrado: quatro ETFs — BOVA11, BOVV11, SMALL11 e SPXR11 — responderam por 99% do volume negociado de janeiro a outubro, conforme dados da B3 citados pelo InvestNews.

Com maior escala, ETFs selecionados poderão permitir operações mais sofisticadas, como aluguel de cotas e estratégias de long & short, que exigem fundos com patrimônio mínimo próximo a R$ 100 milhões, explicou Castro.

Para Andres Kikuchi, diretor executivo e CIO da Nu Asset, o programa também funciona como um endosso institucional para novas categorias, como os ETFs híbridos. “O BNDES está estimulando o desenvolvimento do mercado além da renda variável”, afirmou.

A seleção levará em conta critérios como qualidade da gestão, transparência e estrutura de custos — aspectos que, segundo especialistas, devem elevar o padrão dos provedores brasileiros de fundos de índice.

O CEO da Rio Bravo, Paulo Bilyk, destacou que o crescimento do mercado passa pela ampliação da base de investidores. “Lá fora, ETFs compõem portfólios de todos os tamanhos. Aqui, ainda temos muito espaço para avançar”, disse ao InvestNews.