Azul projeta retomada da lucratividade em 2026 e reforça foco no mercado doméstico

Companhia aérea aposta em redução de endividamento, ajuste de frota e parcerias internacionais para voltar a gerar caixa nos próximos anos

azulEmpresa afirma que cai redirecionar sua estratégia de expansão ao mercado doméstico. (Foto: Divulgação)

A Azul espera voltar a registrar lucro a partir de 2026, apoiada por uma combinação de desalavancagem financeira, renegociação de contratos de leasing e uma estratégia de crescimento mais cautelosa, segundo afirmou o presidente da companhia, John Rodgerson. As informações foram divulgadas pela Bloomberg.

De acordo com o executivo, a empresa irá redirecionar seus planos de expansão principalmente para o mercado doméstico, ao mesmo tempo em que mantém reforços pontuais na malha internacional, sobretudo em rotas para os Estados Unidos, impulsionadas pela demanda adicional esperada com a Copa do Mundo de futebol no próximo verão.

“O fluxo de caixa da empresa melhorou significativamente”, afirmou Rodgerson em entrevista à Bloomberg. “Geraremos caixa em 2026. Geraremos caixa em 2027. Esse é o plano.”

A companhia aérea também seguirá com a incorporação de novas aeronaves dos fabricantes Airbus e Embraer, mas dentro de um ritmo mais alinhado à geração de caixa e à demanda. A estratégia contrasta com o ciclo de crescimento acelerado do passado, quando a Azul expandiu sua frota de forma agressiva e elevou o nível de endividamento.

Segundo a Bloomberg, a reestruturação financeira recente permitirá à Azul reduzir substancialmente seus custos com juros. A economia anual estimada com despesas financeiras é de cerca de US$ 200 milhões, um alívio relevante para a estrutura de custos da companhia.

Fundada em 2008, a Azul construiu rapidamente uma posição relevante no mercado brasileiro, apoiada inicialmente em aeronaves Embraer e, posteriormente, em uma frota diversificada. Pressões cambiais, os efeitos prolongados da pandemia e o aumento dos custos operacionais acabaram comprometendo o equilíbrio financeiro da empresa nos últimos anos.

Rodgerson afirmou que a companhia sai desse período mais fortalecida e com uma visão mais conservadora de crescimento. “É um plano muito mais moderado”, disse. “Essa companhia aérea vai se fortalecer muito mais nessa nova fase.”

A Bloomberg também destacou o reforço acionário vindo das companhias americanas United Airlines e American Airlines, que investiram US$ 100 milhões cada na Azul. Com isso, cada uma deverá deter cerca de 8,5% do capital da aérea brasileira após a conclusão do processo de reestruturação, segundo estimativas da Bloomberg Intelligence.

Além do aporte financeiro, a Azul planeja ampliar acordos de codeshare com as duas companhias, o que permitirá às parceiras acesso a mais de 100 destinos no Brasil, enquanto a Azul fortalece sua presença em rotas internacionais estratégicas.

Apesar do ambiente global mais incerto, Rodgerson afirmou que a empresa não vê impacto relevante na demanda de brasileiros por viagens aos Estados Unidos, reforçando a aposta na retomada gradual da rentabilidade nos próximos anos.