Americanas aposta em modelo “store in store” para rentabilizar lojas e acelerar recuperação
Estratégia busca monetizar espaço ocioso, diversificar portfólio e melhorar percepção de marca no varejo.

Fernando Soares, CEO da Americanas, falo sobre estratégia para aumentar rentabilidade das lojas. (Foto: Divulgação)
A Americanas passou a adotar o modelo “store in store” como eixo central de sua estratégia para aumentar a rentabilidade das lojas e avançar no processo de recuperação após a crise iniciada em 2023.
A iniciativa, chamada de “Projeto Galeria”, transforma pontos de venda em hubs para marcas parceiras, que passam a operar espaços próprios dentro das unidades da rede. O objetivo é duplo: otimizar o uso do metro quadrado e modernizar o mix de produtos.
“O primeiro objetivo é otimizar o nosso metro quadrado de loja, que é um metro quadrado com bastante fluxo. O segundo é a modernização de sortimento”, afirmou o CEO Fernando Soares, em entrevista à Bloomberg.
O modelo também cria novas fontes de receita. Segundo o CFO Sebastien Durchon, a empresa pode cobrar aluguel fixo pelo espaço ou adotar formatos híbridos, com mínimo garantido e participação nas vendas dos parceiros.
Além da monetização, a estratégia tem papel relevante na reposição de imagem da companhia. Ao trazer marcas com forte apelo junto ao público, a varejista busca renovar a experiência nas lojas e atrair novos consumidores.
Entre os primeiros parceiros estão a WePink, além de empresas como Panini e Agibank, com perfis distintos que ampliam o alcance da proposta. A seleção das lojas é feita de acordo com a demanda local, e novas aberturas estão previstas ao longo de 2026.
Segundo reportagem da Bloomberg, o movimento ocorre em paralelo a indicadores operacionais mais positivos. As vendas nas mesmas lojas cresceram 7,8% no quarto trimestre, enquanto a receita por metro quadrado avançou 13% no último ano.
A companhia também voltou ao lucro nas operações regulares, com resultado líquido de R$ 98 milhões em 2025, ante prejuízo no ano anterior, e encerrou o período com caixa superior à dívida bruta.
Após o fechamento de cerca de 300 lojas desde o início da crise, a rede busca agora extrair maior eficiência da base remanescente, hoje com cerca de 1.470 unidades.
A aposta no modelo “store in store” se insere em uma estratégia mais ampla de reorganização operacional e financeira, enquanto a companhia aguarda a conclusão do processo de recuperação judicial, prevista para os próximos meses.