Airbus vê nos voos internacionais o motor para acelerar crescimento na América Latina

Demanda aquecida por rotas de longo curso abre espaço para companhias aéreas locais ganharem participação em um mercado ainda dominado por estrangeiras, avalia executivo da fabricante.

Damien Sternchuss, vice-presidente AirbusDamien Sternchuss, vice presidente e head de Airline Marketing para Airbus América Latina e Caribe. (Foto: Divulgação)

A demanda por voos internacionais na América Latina, especialmente no Brasil, tem se mantido em patamares elevados e deve impulsionar a expansão da Airbus na região nos próximos anos. A avaliação é de Damien Sternchuss, vice presidente e head de Airline Marketing para Airbus América Latina e Caribe, em entrevista à Bloomberg Línea.

Segundo o executivo, trata-se de um segmento historicamente dominado por companhias aéreas estrangeiras, sobretudo europeias, mas que oferece uma oportunidade relevante para operadoras locais ampliarem participação com o uso de aeronaves mais eficientes.

“Acreditamos que as companhias aéreas da região podem ganhar market share em rotas internacionais ao operar modelos mais modernos, que permitem diluir custos e tornar essas operações mais competitivas”, afirmou Sternchuss.

Hoje, cerca de 90% da frota comercial em operação na América Latina e no Caribe é composta por aeronaves de corredor único, os chamados single-aisles, voltados principalmente a rotas domésticas e regionais. Essa configuração deve continuar predominante, segundo a Airbus, mas a fatia de aviões de fuselagem larga tende a crescer com a retomada e a expansão do tráfego internacional.

Nesse contexto, modelos como o A330 e o A350 aparecem como apostas estratégicas da fabricante para atender à demanda por voos de médio e longo curso. De acordo com Sternchuss, o número de passageiros em rotas internacionais na região já supera os níveis registrados antes da pandemia.

A Airbus atende atualmente 17 companhias aéreas na América Latina e no Caribe, incluindo grupos como Latam, Azul, Avianca e Volaris. A expectativa da fabricante é que o tráfego de passageiros na região dobre nos próximos 20 anos, criando oportunidades tanto em voos de curta e média distância quanto em operações intercontinentais.

Projeções da empresa indicam que, até 2044, a demanda por novas aeronaves na América Latina deve alcançar 2.660 unidades, sendo cerca de 2.440 do tipo single-aisle. Ainda assim, o crescimento das rotas internacionais tende a sustentar encomendas adicionais de aviões de maior porte.

O Brasil é considerado o principal mercado da Airbus na região. Segundo Sternchuss, a fabricante detém atualmente cerca de 50% de participação na aviação comercial brasileira e pretende preservar a liderança. “Queremos continuar crescendo no Brasil, que reúne demanda consistente e companhias aéreas com ambição de expansão”, disse.

Além do Brasil, a Airbus vê oportunidades relevantes no México, impulsionadas pelo avanço das companhias de baixo custo, e na Colômbia e no Chile, mercados descritos pelo executivo como dinâmicos e em expansão. A Argentina também aparece no radar, com crescimento de pedidos, especialmente da JetSmart.

Para Sternchuss, o principal desafio do setor aéreo nos próximos anos será aumentar a oferta de assentos de forma resiliente, acompanhando o crescimento da demanda. “É nesse ponto que os fabricantes precisam escalar produção e garantir capacidade suficiente para atender o mercado”, afirmou.

O executivo destacou ainda que a consolidação das companhias aéreas, observada globalmente nas últimas décadas, tende a continuar na América Latina. “Com a busca constante por eficiência e competitividade, alianças e movimentos de consolidação devem seguir fazendo parte do setor”, concluiu, em entrevista.